Digno é o Cordeiro Imolado de receber o poder, a honra, a glória e o louvor! Ap 5,12

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Dies Domini!

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Dia do Senhor

Na aurora, neste mesmo dia, os primeiros cristãos apressavam-se para adentrarem na *domus ecclesia e participarem daquele que era o acontecimento central de suas vidas, especialmente no final de semana. O significado deste dia vai além de um simples acontecimento social, na verdade o entendimento era um acontecimento de salvação; salvação de estar futuramente com aquele que era o centro de todo o culto cristão dos primeiros séculos, o verdadeiro *Kírios.

Desta forma o dia do Senhor ou melhor o Domingo, passou a ser na memória dos cristãos a rememoração viva de toda a vida de cristo, especialmente da sua ressurreição; o sentido de sacrificio na celebração eucarística é posterior com mais intensidade no Concílio de Trento; assim a celebração era festiva e amistosa levando a comunidade a entender que sem a vivência deste dia era impossível continuar como cristão.

Hoje a coisa mudou, a indiferença religiosa ou a falta de sentido da religião na vida de muitos "católicos" na verdade que se dizem católicos. O Domingo passou de dia de preceito para um dia de folga onde o interesse maior não é a vida celebrativa mas o lazer parta muitos. A religião está em segundo plano, isso gera uma inversão de valores levando a pessoa a ser insensível a tudo que diz respeito a religião. Por outro lado existem aqueles que fazem da religião uma busca fácil de conseguir favores ou se dar bem na vida; aí estão as seitas eletrônicas prometendo bem-estar em troca de dinheiro, prometendo milagres em troca de bens materiais; fazendo de Deus uma marionete ou um vassalo obediente incapaz de dizer não aos seus patrões pastores fajutos; confira este vídeo na internet.

É notório que o homem não vive sem espiritualidade, de alguma forma ele se apega aos seus falsos deuses como garantia de sua existência. Nós cristãos não precisamos reinventar essa espiritualidade pois já a temos; falta talvez vivê-la com com mais intensidade, especialmente resgatando o dies domini, isto é, o dia do Senhor.

Domus ecclesia: Casa da comunidade
* Kírios: (Senhor) Título atribuido ao Imperador; os cristãos atribuíram este título  a Cristo.

Pão nosso!

Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir

(Nn.18.22: CSEL 3,280-281.283-284)             (Séc.III)

Depois do pão, pedimos o perdão dos pecados

            Continuando a oração, fazemos o pedido: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Pode-se entendê-lo tanto espiritual como naturalmente. De ambos os modos Deus se serve para nossa salvação. Cristo é o pão da vida e este pão não é de todos, é nosso. Assim como dizemos Pai nosso, por ser Pai dos que entendem e creem, assim dizemos pão nosso, porque Cristo é o pão dos que comem o seu corpo. Pedimos a dádiva deste pão, todos os dias; não aconteça que nós, que estamos em Cristo e diariamente recebemos sua eucaristia como alimento de salvação, sobrevindo alguma falta mais grave, nos abstenhamos e sejamos privados de comungar o pão celeste e venhamos a nos separar do corpo de Cristo, porque são suas as palavras: Eu sou o pão da vida, que desci do céu. Se alguém comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.

            Assim, dizendo ele que viverá eternamente quem comer deste pão, como é evidente que vivem aqueles que pertencem ao seu corpo e recebem a eucaristia nas devidas disposições, é de se temer, pelo contrário, que se afaste da salvação aquele que se abstém do corpo de Cristo, conforme a advertência do Senhor: Se não comerdes da carne do Filho do homem e não beberdes de seu sangue, não tereis a vida em vós. Por este motivo, pedimos que nos seja dado diariamente nosso pão, o Cristo, para que não nos apartemos de sua santificação e de seu corpo, nós os que permanecemos e vivemos em Cristo.
            Em seguida, também suplicamos pelos nossos pecados: E perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Depois do pão, pedimos o perdão dos pecados.

            Quão necessária, providencial e salvadora a advertência de sermos pecadores, e obrigados a rogar a Deus pelos pecados! Porque, quando recorre à indulgência de Deus, a alma se lembra de sua condição. Para que ninguém esteja contente consigo, como se fosse inocente e pela soberba se perca mais completamente, quando se lhe ordena pedir todos os dias perdão pelos pecados, cada um toma consciência de que diariamente peca.

            Assim também João, em sua carta, nos adverte: Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não estará em nós. Se porém confessarmos nossas culpas, o Senhor, justo e fiel, perdoar-nos-á os pecados. Em sua carta reuniu as duas coisas: o dever de rogar pelos pecados e, rogando, suplicar a indulgência. Por isso diz que o Senhor é fiel, mantendo a sua promessa de perdoar as culpas, pois quem nos ensinou a orar por nossas dívidas e pecados também prometeu, logo em seguida, a misericórdia paterna e o perdão.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Redentoristas Norte-americanos!

TRABALHARAM NA DIOCESE DE COARI
Vice-Provincia do Amazonas
1943-2010

                             Padre Noé (Vicent) Ageller










    














André Joerger - João McCormick - José Maria Buhler - José Elworthy -Cornélio Ryan
Jaime Martin - Mathias Huber - Estanislau Dunn - Ligouri Cullen - José Brunner
Agostinho Liebst - Gabriel Medic - Frederico Straman - Afonso Abadie
Bernardo Van Hoomissen - Normando Muckerman - Clemente Weiric
João Maria Kreuzer - Geraldo Gracheck – (Tomás Murphy – Ordenado Bispo em
02/01/1963)- Guilherme Fitzgerald - Roberto Hanlen - Eugênio Oates - Pedro Weitzel
Paulo Broker - Jorge Joly - Francisco Hirsch - Eduardo Wilhelm - Miguel Rossbach
Guilherme McKee - Leão Tong - Vicente McLaughlin -(Mário Anglim – Ordenado Bispo
em 02/06/1966) - Davi Shannon - Antônio Steubben - Patrício Hogan - Rafael Tobin
Sebastião Leitheiser - Tiago Springer - Lucas Hoefler - Luis Ohlinger - Marcos Weninger Martinho Springer - Mateus George - Ricardo Garret - Jorge Ford - Daniel Nugent
Alberto Kern - Felipe DeBaldo - Cristóvão Farrel - Geraldo Brinkman
Raimundo Scheuermann- Faleceu numa explosão de barco em codajás no ano 1958.
Tomé Morrissey - Jaime Fish - Carlos Steiner- André Patterson- Bento Parsons
Joaquim Shannon - Vicente Schnaar - Leonardo O’Leary - João Moffitt
(Alfredo Novak – Ordenado Bispo em 27/05/1979)- Pascoal Stenger - Pio Fisher
Maurício Governale - Noé Aggeler - Luis Miller - Afonso McCluskey - Vicente Zeipelt
Lino Marler - Inácio Rietcheck - Flávio Freuler - Xavier O’Brien - Rui Hergenredr
Ivo Tobin - Domingos McCarthy - Roberto Drinkwater - José Morin - Jorge Nakamura
João Gouger - Paulo Kipper - Miguel McIntosh - Luis Kirchner – Irmão Léo Patin
Simão Ripp - José Butz - Vitor Karls - Gary Heinecke - Kevin Fraher - Matin Laumann
Antônio Judge - José Patrício Dorcey - André Thompson - Eduardo Vella - Patrício José
McBride - Patrick Albert Keyes.
Obs: Somente este está em Manaus atualmente: Pe. Miguel McIntosh 

Dom Mário Anglim em Anamã

A oração do Senhor III

Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir

(Nn.11-12: CSEL 3,274-275)                (Séc.III)

Santificado seja o vosso nome

            Quanta indulgência do Senhor, quanta consideração por nós e quanta riqueza de bondade em querer que realizássemos nossa oração, na presença de Deus, chamando-o de Pai, e que, da mesma forma que Cristo é Filho de Deus, também nós recebamos o nome de filhos de Deus. Nenhum de nós ousaria chamá-lo Pai na oração, se ele próprio não nos permitisse orar assim. Irmãos diletíssimos, cumpre-nos ter sempre em mente e saber que, quando damos a Deus o nome de Pai, temos de agir como filhos: como a nossa alegria está em Deus Pai, também ele encontre sua alegria em nós.

            Vivamos quais templos de Deus, para que se veja que em nós habita o Senhor. Não seja a nossa ação indigna do Espírito, pois se já começamos a ser espirituais e celestes, pensemos e façamos somente coisas celestes e espirituais, conforme disse o próprio Senhor Deus: Àqueles que me glorificam, eu os glorificarei e àqueles que me desprezam, os desprezarei.Também o santo Apóstolo escreveu em uma epístola: Não vos possuís, pois fostes comprados por alto preço. Glorificai e levai a Deus em vosso corpo.

            Em seguida dizemos: Santificado seja o vosso nome, não que desejemos ser Deus santificado por nossas orações, mas que peçamos ao Senhor seja seu nome santificado em nós. Aliás, por quem seria Deus santificado, ele que santifica? Mas já que disse: Sede santos porque eu sou santo, pedimos e rogamos que nós, santificados pelo batismo perseveremos no que começamos a ser. Cada dia pedimos o mesmo. A santificação cotidiana é necessária para nós pois, cada dia, falhamos e temos de purificar nossos delitos por assídua santificação.

            O Apóstolo descreve qual seja a santificação que,pela condescendência de Deus, nos é dada: Nem fornicadores nem idólatras, adúlteros, nem efeminados, sodomitas, nem ladrões nem fraudulentos, nem ébrios, maldizentes, nem usurpadores alcançarão o reino de Deus. Na verdade fostes tudo isto, mas fostes lavados, fostes justificados, santificados, em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. Diz-nos santificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. Oramos para que esta santificação permaneça em nós. Se o Senhor e nosso juiz advertiu aquele que curara e vivificara de não mais pecar, para que não lhe adviesse coisa pior, fazemos este pedido por contínuas orações, suplicamos dia e noite a fim de que, por sua proteção, nos seja guardada a santificação vivificante que procede da graça de Deus.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A Oração do Senhor II

Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir
(Nn.8-9: CSEL 3,271-272)             (Séc.III)

Nossa oração é pública e universal

            Antes do mais, o Doutor da paz e Mestre da unidade não quis que cada um orasse sozinho e em particular, como rezando para si só. De fato, não dizemos: Meu Pai que estais no céus; nem: Meu pão dai-me hoje. Do mesmo modo não se pede só para si o perdão da dívida de cada um ou que não caia em tentação e seja livre do mal, rogando cada um para si. Nossa oração é pública e universal e quando oramos não o fazemos para um só, mas para o povo todo, já que todo o povo forma uma só coisa.

            O Deus da paz e Mestre da concórdia, que ensinou a unidade, quis que assim orássemos, um por todos, como ele em si mesmo carregou a todos.
            Os três jovens, lançados na fornalha ardente, observaram esta lei da oração, harmoniosos na prece e concordes pela união dos espíritos. A firmeza da Sagrada Escritura o declara e, narrando de que maneira eles oravam, apresenta-os como exemplo a ser imitado em nossas preces, a fim de nos tornarmos semelhantes a eles. Então, diz ela, os três jovens, como por uma só boca, cantavam um hino e bendiziam a Deus. Falavam como se tivessem uma só boca e Cristo ainda não lhes havia ensinado a orar.

            Por isto a palavra foi favorável e eficaz para os orantes. De fato, a oração pacífica, simples e espiritual, mereceu a graça do Senhor. Do mesmo modo vemos orar os apóstolos e os discípulos, depois da ascensão do Senhor. Eram perseverantes, todos unânimes na oração com as mulheres e Maria, a mãe de Jesus, e seus irmãos. Perseveravam unânimes na oração, manifestando tanto pela persistência como pela concórdia de sua oração, que Deus que os faz habitar unânimes na casa, só admite na eterna e divina casa aqueles cuja oração é unânime. De alcance prodigioso, irmãos diletíssimos, são os mistérios da oração dominical! Mistérios numerosos, profundos, enfeixados em poucas palavras, porém, ricas em força espiritual, encerrando tudo o que nos importa alcançar!
Rezai assim, diz ele: Pai nosso, que estais nos céus.

O homem novo, renascido e, por graça, restituído a seu Deus, diz, em primeiro lugar, Pai!, porque já começou a ser filho. Veio ao que era seu e os seus não o receberam. A todos aqueles que o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aqueles que creem em seu nome. Quem, portanto, crê em seu nome e se fez filho de Deus, deve começar por aqui, isto é, por dar graças e por confessar-se filho de Deus ao declarar ser Deus o seu Pai nos céus.

domingo, 18 de junho de 2017

Fatos importantes na Amazônia!



Pequena cronologia de fatos importante



         
Muitos são os fatos que compõe a história da Igreja na Amazônia, que de certo alguns faltarão aqui nesta exposição. Colocamos os que achamos de maior relevância e que para nós são os mais importantes para fundamentar a nossa pesquisa.    
1494 – 07 de junho, assinatura do tratado de Tordesillas, pelo qual o território amazonense, seria parte integrante do Império Espanhol.

1541 – Expedição do Espanhol, Francisco de Orellana no Amazonas
1637 – Inicio da expansão portuguesa na região amazônica.
1669 – Francisco da Mota Falcão, ergue o forte de São José do Rio Negro (Manaus)
1686 -  É  criado o Regimento das Missões.
1687 – Carta Régia, criando a sistematização da colonização no vale amazônico.
1707 – Samuel Fritz, chefe dos Jesuítas a serviço da Espanha, levanta o primeiro mapa da região amazonense.
1710 – Os Carmelitas Portugueses, após pequenos choques militares, substituem os Jesuítas espanhóis.
1720 – Descoberta da borracha, descrita por Frei Manuel da Fonseca, missionário junto aos índios Cambebas.
1727 – Captura do chefe indígena Ajuricaba, que comandou a resistência contra a penetração européia na área.
1750 – 13 de janeiro: Assinatura do tratado de Madrid, por Dom João V de Portugal  e Dom Fernando VI de Espanha, fixando novos limites brasileiros no extremo norte.
1759 – Tefé é elevada à Vila com o nome de Ega
1774 – Criação da Paróquia de Santana em Coari.
1850 – O Amazonas é elevado à categoria de Província
1853 – É criada a Comarca do Solimões
1855 – Tefé é elevada à cidade. Fr. Gregório José Maria do Bene, capuchinho, presta serviço em Coari.
1862 – Foi criada a Diocese do Amazonas
1874 – Coari é elevada a cidade.
1909 -  Dom Frederico Costa, visita o Médio-Solimões e escreve sua Carta Pastoral.
1910 – É criada a Prefeitura Apostólica de Tefé.
1943 – Chegada dos Missionários Redentoristas na Prelazia
1964 – Instalação da Prelazia de Coari
2014 -  Instalação da Diocese de Coari



 Cf.  Enciclopédia Delta Larrousse.Vol.I. Ed Delta. S.A. Rio de Janeiro. 1977, pg. 297.

A Oração do Senhor!

Do Tratado sobre a Oração do Senhor, de São Cipriano, bispo e mártir

(Nn.4-6: CSEL 3,268-270)             (Séc.III)

Brote a oração do coração humilde

            Haja ordem na palavra e na súplica dos que oram, tranquilos e respeitosos. Pensemos estar na presença de Deus. Sejam agradáveis aos olhos divinos a posição do corpo e a moderação da voz. Porque se é próprio do irreverente soltar a voz em altos brados, convém ao respeitoso orar com modéstia. Por fim, ensinando-nos, ordenou o Senhor orarmos em segredo, em lugares apartados e escondidos, até nos quartos, no que auxilia a fé por sabermos estar Deus presente em toda a parte, ouvir e ver a todos e na plenitude de sua majestade penetrar até no mais oculto. Assim está escrito: Eu sou Deus próximo e não Deus longínquo. Se se esconder o homem em antros, acaso não o verei eu? Não encho o céu e a terra? E de novo: Em todo lugar os olhos de Deus vêem os bons e os maus.

            Quando nos reunimos com os irmãos e celebramos como sacerdote de Deus o sacrifício divino, temos de estar atentos à reverência e à disciplina devidas. Não devemos espalhar a esmo nossas preces com palavras desordenadas, nem lançar a Deus com tumultuoso palavrório os pedidos, que deveriam ser apresentados com submissão, porque Deus não escuta as palavras e sim o coração. Com efeito, não se faz lembrado por clamores Aquele que vê os pensamentos, como o Senhor mesmo provou ao dizer: Que estais pensando de mal em vossos corações? E em outro lugar: E saibam todas as Igrejas que eu sou quem perscruta os rins e o coração.

            Ana, no Primeiro Livro dos Reis, como figura da Igreja, tem esta atitude, ela que suplicava a Deus não aos gritos, mas silenciosa e modesta, no mais secreto do coração. Falava por prece oculta e fé manifesta, falava não com a voz mas com o coração, pois sabia ser assim ouvida pelo Senhor. Obteve plenamente o que pediu porque o suplicou com fé. A Escritura divina declara: Falava em seu coração, seus lábios moviam-se, mas não se ouvia som algum e o Senhor a atendeu. Lemos também nos salmos: Rezai em vossos corações e compungi-vos em vossos aposentos. Através de Jeremias ainda o mesmo Espírito Santo inspira e ensina: No coração deves ser adorado, Senhor.

            O orante, irmãos caríssimos, não ignora por certo como o publicano orou no templo, com o fariseu. Não com olhos orgulhosos levantados para o céu nem de mãos erguidas com jactância, mas batendo no peito, confessando os pecados ocultos em seu íntimo, implorava o auxílio da misericórdia divina. Por que o fariseu se comprazia em si mesmo, mais mereceu ser santificado aquele que rogava sem firmar a esperança da salvação na presunção de sua inocência, já que ninguém é inocente; rezava, porém, reconhecendo seus pecados; e atendeu ao orante aquele que perdoa aos humildes.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Corpus Christi!

CORPUS CHRISTI

Origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. O papa Urbano IV, na época o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège, na Bélgica, recebeu o segredo da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que teve visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque. Por volta de 1264, em uma cidade próxima a Orvieto (onde o já então papa Urbano IV tinha sua corte), chamada Bolsena, ocorreu o Milagre de Bolsena, em que um sacerdote celebrante da Santa Missa, no momento de partir a Sagrada Hóstia, teria visto sair dela sangue, que empapou o corporal (pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa). O papa determinou que os objetos milagrosos fossem trazidos para Orvieto em grande procissão em 19 junho de 1264, sendo recebidos solenemente por Sua Santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico de que se tem notícia. A festa de Corpus Christi foi oficialmente instituída por Urbano IV com a publicação da bula Transiturus em 8 de setembro de 1264, para ser celebrada na quinta-feira depois da oitava de Pentecostes.

Para um maior esplendor da solenidade, desejava Urbano IV um Ofício para ser cantado durante a celebração. O Ofício escolhido foi composto por São Tomás de Aquino, cujo título era Lauda Sion (Louva Sião). Este cântico permanece até a atualidade nas celebrações de Corpus Christi.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o papa morreu em seguida, menos de um mês depois da publicação da bulaTransiturus. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia, na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma, é encontrada desde 1350.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: "Este é o meu corpo... isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim". Segundo Santo Agostinho, é um memorial de imenso benefício para os fiéis, deixado nas formas visíveis do pão e do vinho. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que esta transformação da matéria não seja visível.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Corpus_Christi#cite_note-presb.C3.ADteros-3


quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Parusia!

Das Homilias sobre o Livro de Josué, de Orígenes, presbítero
(Hom. 4,1: PG 12,842-843)            (Séc.III)


A travessia do Jordão

            No Jordão, a arca da aliança era o guia do povo de Deus. A fileira dos sacerdotes e levitas para, e as águas, como que em reverência aos ministros de Deus, refreiam seu curso e amontoam-se abrindo caminho livre para o povo de Deus. Não te admires de que estes fatos, acontecidos com o povo antigo, se refiram a ti, cristão, que pelo sacramento do batismo atravessaste o rio Jordão. A palavra divina te promete coisas ainda maiores e mais elevadas: oferece-te mesmo a travessia pelos ares. Escuta o que Paulo diz acerca dos justos: Seremos arrebatados nas nuvens, ao encontro de Cristo nos ares, e assim estaremos com o Senhor para sempre. Não há nada que amedronte o justo. Todas as criaturas o servem. Ouve ainda como pelo Profeta Deus lhe promete: Se passares pelo fogo, a chama não te queimará, porque eu sou o Senhor, teu Deus. Todo lugar acolhe o justo e toda criatura lhe presta o devido serviço. E não julgues que estas coisas se deram antigamente e que em ti, que as escutas, nada de semelhante acontece. Todas se perfazem em ti de modo místico. De fato, tu que, abandonando há pouco as trevas da idolatria, desejas aproximar-te da lei divina, deixas primeiro o Egito.
            Quando te inscreveste no número dos catecúmenos e começaste a obedecer aos preceitos da Igreja, atravessaste o mar Vermelho. Assim, levado às paradas do deserto, tu te entregas diariamente à audição da lei divina e à contemplação do rosto de Moisés, com o véu já retirado pela glória do Senhor. Se depois te achegares à fonte do místico batismo e, na presença dos sacerdotes e levitas, fores iniciado naqueles veneráveis e magníficos mistérios conhecidos por aqueles a quem de direito, então depois de ter atravessado o Jordão, também pelo ministério sacerdotal, entrarás na terra prometida. Nesta, depois de Moisés, acolher-te-á Jesus e ele próprio se fará teu guia na nova caminhada.

            Tu, porém, lembrado de tantas e tão grandes maravilhas de Deus, como o mar que se dividiu para ti e a água do rio que parou diante de ti, voltado para eles dirás: Que houve, ó mar, que fugiste? e tu, Jordão, que voltaste para trás? Montes, por que saltais como cabritos e as colinas como cordeirinhos? A palavra divina responderá: Diante da face do Senhor abalou-se a terra, diante da face do Deus de Jacó, que muda a pedra em lago e o rochedo em fontes de água.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Antonio Intercessor!

Dos Sermões de Santo Antônio de Pádua, presbítero
(I.226)             (Séc.XII)


A palavra é viva quando são as obras que falam


 Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando os outros as veem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas. Diz São Gregório: “Há uma lei para o pregador: que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.

            Os apóstolos, entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava (cf. At 2,4). Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas ideias! Pois há alguns que falam movidos pelo próprio espírito e, usando as palavras dos outros, apresentam-nas como suas, atribuindo-as a si mesmos. Destes e de outros semelhantes, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: Terão de se haver comigo os profetas que roubam um do outro as minhas palavras. Terão de se haver comigo os profetas, diz o Senhor, que usam suas línguas para proferir oráculos. Eis que terão de haver-se comigo os profetas que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, que os contam, e seduzem o meu povo com suas mentiras e seus enganos. Mas eu não os enviei, não lhes dei ordens, e não são de nenhuma utilidade para este povo – oráculo do Senhor (Jr 23,30-32).
            Falemos, portanto, conforme a linguagem que o Espírito Santo nos conceder; e peçamos-lhe humilde e devotamente que derrame sobre nós a sua graça, a fim de podermos celebrar o dia de Pentecostes com a perfeição dos cinco sentidos e na observância do decálogo. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo que são os louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, mereceremos ver o Deus Uno e Trino.