Digno é o Cordeiro Imolado de receber o poder, a honra, a glória e o louvor! Ap 5,12

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Templo de Deus!

Do Comentário sobre o Salmo 118, de Santo Ambrósio, bispo
(Nn.12,13-14: CSEL 62,258-259)            (Séc.IV)

Santo é o templo de Deus, que sois vós

Eu e o Pai viremos e faremos nele nossa morada. Franqueia, então, a tua porta ao que vem, abre tua alma, alarga o íntimo de tua mente para veres as riquezas da simplicidade, os tesouros da paz, a doçura da graça. Dilata o coração e corre ao encontro do sol, da eterna luz, a que ilumina a todo homem. Esta luz verdadeira brilha para todos. Mas, se alguém fecha as janelas, priva-se da eterna luz. Assim também Cristo é repelido se fechas a porta de teu espírito. Embora possa entrar, não quer ser importuno, não quer entrar à força. Recusa-se a usar de coação!

Nascido da Virgem, ele saiu do seio, irradiando luz sobre o mundo inteiro, refulgindo para todos. Os que desejam, acolhem a claridade inextinguível que noite alguma interrompe. Pois à do sol que vemos diariamente, sucede a noite escura; mas o sol da justiça jamais se põe, porque à sabedoria não sucede a maldade.

Feliz aquele a cuja porta Cristo bate. Nossa porta é a fé, que, quando sólida, defende a casa toda. Por esta porta Cristo entra. Daí dizer a Igreja no Cântico: A voz de meu irmão bate à porta. Escuta o que bate, escuta o que deseja entrar: Abre para mim, minha irmã esposa, minha pomba, minha perfeita, porque tenho a cabeça coberta de orvalho e meus cabelos, das gotas da noite.

Observa que o Deus Verbo bate à porta principalmente quando sua cabeça está coberta de orvalho noturno. Digna-se visitar os atribulados e tentados, para que não sucumbam às amarguras.A cabeça cobre-se de orvalho e de gotas quando o corpo sofre. Importa, portanto, vigiar para não ficar excluído à chegada do Esposo. Se dormes e o teu coração não vigia, afasta-se antes de bater. Se o teu coração está vigilante, bate e pede ser-lhe aberta a porta.

Possuímos a porta de nossa alma, possuímos também portais sobre os quais se diz: Levantai, príncipes, vossos portais, erguei-vos, portas eternas, e entrará o Rei da glória. Se quiseres levantar os portais de tua fé, entrará em ti o Rei da glória, trazendo a vitória de sua paixão. Tem também portas a justiça Delas lemos o que disse o Senhor Jesus por meio de seu profeta: Abri-me as portas da justiça.

Há quem tenha portas, há quem tenha portais. A essas portas Cristo bate, bate aos portais. Abre, então, para ele; quer entrar, quer encontrar vigilante a Esposa.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Prefiram a Cristo!

Da Regra de São Bento, abade
(Prologus, 4-22;cap.72,1-12:CSEL75,2-5.162-163)            (Séc.VI)


Nada absolutamente prefiram a Cristo

            Antes de tudo, quando quiseres realizar algo de bom, pede a Deus com oração muito insistente que seja plenamente realizado por ele. Pois já tendo se dignado contar-nos entre o número de seus filhos, que ele nunca venha a entristecer-se por causa de nossas más ações. Assim, devemos em todo tempo pôr a seu serviço os bens que nos concedeu, para não acontecer que, como pai irado, venha a deserdar seus filhos; ou também, qual Senhor temível, irritado com os nossos pecados nos entregue ao castigo eterno, como péssimos servos que o não quiseram seguir para a glória.

            Levantemo-nos, enfim, pois a Escritura nos desperta dizendo: Já é hora de levantarmos do sono (cf. Rm 13,11). Com os olhos abertos para a luz deífica e os ouvidos atentos, ouçamos a exortação que a voz divina nos dirige todos os dias: Oxalá, ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações (Sl 94,8); e ainda: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas (Ap 2,7).

            E o que diz ele? Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor (Sl 33,12). Correi, enquanto tendes a luz da vida, para que as trevas não vos alcancem (cf. Jo 12,35).

            Procurando o Senhor o seu operário na multidão do povo ao qual dirige estas palavras, diz ainda: Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias? (Sl 33,13). E se tu, ao ouvires este convite, responderes: Eu, dir-te-á Deus: Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, afasta a tua língua da maldade, e teus lábios, de palavras mentirosas. Evita o mal e faze o bem, procura a paz e vai com ela em seu caminho (Sl 33,14-15). E quando fizeres isto, então meus olhos estarão sobre ti e meus ouvidos atentos às tuas preces; e antes mesmo que me invoques, eu te direi: Eis-me aqui (Is 58,9.

            Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor que nos convida? Vede como o Senhor, na sua bondade, nos mostra o caminho da vida!
            Cingidos, pois, os nossos rins com a fé e a prática das boas ações, guiados pelo evangelho, trilhemos os seus caminhos, a fim de merecermos ver aquele que nos chama a seu reino (cf. 1Ts 2,12). Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse reino, é preciso correr pelo caminho das boas ações; de outra forma, nunca chegaremos lá.

            Assim como há um zelo mau de amargura, que afasta de Deus e conduz ao inferno, assim também há um zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus. É este zelo que os monges devem pôr em prática com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em atenções recíprocas (cf. Rm 12,10). Tolerem pacientissimamente as suas fraquezas, físicas ou morais; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure o que julga útil para si, mas sobretudo o que o é para o outro; ponham em ação castamente a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem o seu abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente prefiram a Cristo; e que ele nos conduza todos juntos para a vida eterna.

sábado, 8 de julho de 2017

A matéria!

Cidade do Vaticano (RV) - Leia o documento oficial da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos sobre o pão e o vinho para a Eucaristia
Carta-circular aos Bispos sobre o pão e o vinho para a Eucaristia
A Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, por determinação do Santo Padre Francisco, dirige-se aos Bispos diocesanos (ou aqueles que pelo direito lhe são equiparados) recordar-lhes que lhes compete providenciar dignamente tudo aquilo que é necessário para a celebração da Ceia do Senhor (cf. Lc 22,8.13). Ao Bispo, primeiro dispensador dos mistérios de Deus, moderador, promotor e garante da vida litúrgica na Igreja que lhe está confiada (cf. CIC can. 835 §1) compete-lhe vigiar a qualidade do pão e do vinho destinado à Eucaristia e, por isso, também, aqueles que o fabricam. A fim de ser uma ajuda, lembramos as normas existentes e sugerem-se algumas indicações práticas.
Enquanto até agora, de um modo geral, algumas comunidades religiosas dedicavam-se a preparar com cuidado o pão e o vinho para a celebração da Eucaristia, hoje estes vendem-se, também, em supermercados, lojas ou mesmo pela internet. Para que não fiquem dúvidas acerca da validade desta matéria eucarística, este Dicastério sugere aos Ordinários que dêem indicações a este respeito; por exemplo, garantindo a matéria eucarística mediante a concessão de certificados.
        O Ordinário deve recordar aos sacerdotes, em particular aos párocos e aos reitores das igrejas, a sua responsabilidade em verificar quem é que fabrica o pão e o vinho para a celebração e a conformidade da matéria.
       Compete ao Ordinário informar e advertir para o respeito absoluto das normas os produtores de vinho e do pão para a Eucaristia.
As normas acerca da matéria eucarística indicadas no can. 924 do CIC e nos números 319 a 323 da Institutio generalis Missalis Romani, foram já explicadas na Instrução Redemptionis Sacramentum desta Congregação (25 de Março de 2004):
a) “O pão que se utiliza no santo Sacrifício da Eucaristia deve ser ázimo, unicamente feito de trigo, confeccionado recentemente, para que não haja nenhum perigo de que se estrague por ultrapassar o prazo de validade. Por conseguinte, não pode constituir matéria válida, para a realização do Sacrifício e do Sacramento eucarístico, o pão elaborado com outras substâncias, embora sejam cereais, nem mesmo levando a mistura de uma substância diversa do trigo, em tal quantidade que, de acordo com a classificação comum, não se pode chamar pão de trigo. É um abuso grave introduzir, na fabricação do pão para a Eucaristia, outras substâncias como frutas, açúcar ou mel. Pressupõe-se que as hóstias são confeccionadas por pessoas que, não só se distinguem pela sua honestidade, mas que, além disso, sejam peritas na sua confecção e disponham dos instrumentos adequados” (n. 48).
b) “O vinho que se utiliza na celebração do santo Sacrifício eucarístico deve ser natural, do fruto da videira, puro e dentro da validade, sem mistura de substâncias estranhas… Tenha-se diligente cuidado para que o vinho destinado à Eucaristia se conserve em perfeito estado de validade e não se avinagre. Está totalmente proibido utilizar um vinho de quem se tem dúvida quanto ao seu caráter genuíno ou à sua procedência, pois a Igreja exige certeza sobre as condições necessárias para a validade dos sacramentos. Não se deve admitir sob nenhum pretexto outras bebidas de qualquer género, pois não constituem matéria válida” (n. 50).
A Congregação para a Doutrina da Fé, na sua Carta-circular aos Presidentes das Conferências Episcopais acerca do uso do pão com pouca quantidade de glúten e do mosto como matéria eucarística (24 de Julho de 2003, Prot. n. 89/78-17498), indicou as normas para as pessoas que, por diversos e graves motivos, não podem consumir pão normalmente confeccionado ou vinho normalmente fermentado:
“As hóstias completamente sem glúten são matéria inválida para a eucaristia. São matéria válida as hóstias parcialmente desprovidas de glúten, de modo que nelas esteja presente uma quantidade de glúten suficiente para obter a panificação, sem acréscimo de substâncias estranhas e sem recorrer a procedimentos tais que desnaturem o pão” (A. 1-2).
“Mosto, isto é, o sumo de uva, quer fresco quer conservado, de modo a interromper a fermentação mediante métodos que não lhe alterem a natureza (p. ex., o congelamento), é matéria válida para a eucaristia” (A. 3).
“Os Ordinários têm competência para conceder a licença de usar pão com baixo teor de glúten ou mosto como matéria da Eucaristia em favor de um fiel ou de um sacerdote. A licença pode ser outorgada habitualmente, até que dure a situação que motivou a concessão” C. 1).
Por outro lado, a mesma Congregação decidiu que a matéria eucarística confeccionada com organismos geneticamente modificados pode ser considerada válida (cf. Carta ao Perfeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 9 de Dezembro de 2013, Prot. n. 89/78 – 44897).
Aqueles que confeccionam o pão e produzem o vinho para a celebração, devem ter a consciência de que o seu trabalho destina-se ao Sacrifício Eucarístico, e por isso, é-lhes requerido honestidade, responsabilidade e competência.
Para que sejam observadas as normas gerais, os Ordinários podem utilmente meter-se de acordo ao nível da Conferência Episcopal, dando indicações concretas. Considerando a complexidade de situações e circunstâncias, como é o facto da negligência pelo sagrado, adverte-se para a necessidade prática de que, por incumbência da Autoridade competente, haja quem efectivamente garanta a autenticidade da matéria eucarística da parte dos produtores como da sua conveniente distribuição e venda.
Sugere-se, por exemplo, que a Conferência Episcopal encarregue uma ou duas Congregações religiosas, ou um outro Ente com capacidade para verificar a produção, conservação e venda do pão e do vinho para a Eucaristia num determinado país ou para outros países para os quais se exporta. Recomenda-se, ainda, que o pão e o vinho destinados à Eucaristia tenham um tratamento conveniente nos lugares de venda.
Da sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, 15 de Junho de 2017.
Robert Card. Sarah
Prefeito
X Arthur Roche
Arcebispo Secretário

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Filho de Davi!

Do livro sobre a predestinação dos santos, de Santo Agostinho, bispo
(Cap.15,30-31:PL44,981-983)                (Séc.V)


Jesus Cristo, da linhagem de Davi segundo a carne

            Esplêndida luz da predestinação e da graça é o próprio Salvador, o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus. Para que isto acontecesse, como o adquiriu a natureza humana que nele existe? Com que precedentes méritos de obras ou de fé? Respondam-me, por favor: aquele homem, para ser assumido na unidade de pessoa pelo Verbo coeterno com o Pai e ser o Filho unigênito de Deus, o que fez para merecê-lo? Qual o bem que precedeu? Que fez antes, que acreditou, que pediu, para chegar a esta indizível excelência? Na verdade, não foi pela ação do Verbo, ao assumi-lo, que este mesmo homem, desde que começou a existir, começou a ser o Filho único de Deus? Manifeste-se assim a nós, em nossa Cabeça, a fonte de graça, donde ela se vai difundir por todos os membros segundo a medida de cada um.

            Com efeito, a graça pela qual, no início de sua fé, um homem se torna cristão, é a mesma pela qual esse homem, desde sua origem, foi feito Cristo. Assim pelo mesmo Espírito renasceu aquele cristão e nasceu este o Cristo. Pelo Espírito, faz-se em nós a remissão dos pecados, por esse mesmo Espírito que fez com que o Cristo não tivesse pecado algum. Deus teve a presciência de que faria tais coisas. Esta é, portanto, a predestinação dos santos, aquela que refulge ao máximo no Santo dos santos. Quem poderá negá-la se compreende com justeza as palavras da verdade? Pois foi-nos ensinado que o próprio Senhor da glória, enquanto homem feito Filho de Deus, foi predestinado.

            Jesus foi predestinado: ele, que haveria de ser filho de Davi segundo a carne, haveria de ser também, segundo a virtude, Filho de Deus segundo o Espírito de santidade, porque nasceu do Espírito Santo e da Virgem Maria. É esta a singular assunção do homem pelo Deus Verbo que se realizou de modo inefável, a fim de que o Filho de Deus e, ao mesmo tempo, filho do homem, a saber, filho do homem por causa da humanidade assumida e filho de Deus por causa daquele que assumia – fosse verdadeira e propriamente dito o Deus unigênito. Que não acontecesse termos de crer numa quaternidade e não na Trindade!
            A natureza humana foi predestinada a tão imensa, sublime e máxima elevação que não tem por onde mais se elevar, assim como a própria divindade não encontrou meios de se rebaixar mais por nós do que aceitando a natureza do homem, com a fraqueza da carne, até à morte da cruz. Assim como foi predestinado o Único para ser nossa Cabeça, assim também, embora muitos, nós somos predestinados para sermos seus membros. Calem-se aqui os méritos humanos, mortos por Adão, e reine aquela que reina, a graça de Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor, único Filho de Deus, um só Senhor. Quem quer que encontre em nossa Cabeça méritos anteriores àquela singular geração, busque em nós, seus membros, os méritos precedentes à múltipla regeneração.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Meu Senhor e meu Deus!

Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, papa.

(Hom. 25,7-9:PL76,1201-1202)            (Séc.VI)

Meu Senhor e meu Deus !

            Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

            Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

            Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

            Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar:A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Petrus Enni!

Pedro está aqui!



O primado de Pedro é o início da missão da Igreja como comunidade dos que iriam acreditar no filho de Deus (Mt 16,16). A persistência de Cristo em indagá-lo "tu me amas?" é certamente a missão de que Pedro iria levar a cabo o projeto de Cristo "apascenta os meus cordeiros". Cristo desejou e quis que ele fosse o primeiro dentre os iguais (primus inter pares) para confirmar na Fé a comunidade dos crentes, daqueles que levariam o nome de Cristo ás nações. Pedro, rocha firme é o protótipo do coordenador que segue na frente e convoca a Igreja ao grande louvor. 






terça-feira, 27 de junho de 2017

Imagem do cristão!

Do Tratado sobre a verdadeira imagem do cristão, de São Gregório de Nissa, bispo

(PG46,283-286)            (Séc.IV)


Por toda a nossa vida manifestemos Cristo

            São três as coisas que manifestam e distinguem a vida cristã: a ação, a palavra e o pensamento. Das três, tem o primeiro lugar o pensamento. Em seguida, a palavra, que nos revela o pensamento concebido e impresso no espírito. Depois do pensamento e da palavra vem, na ordem, a ação, realizando por fatos o que o espírito pensou. Portanto, se alguma coisa na vida nos induz a agir ou a pensar ou a falar, é necessário que o nosso pensamento, a nossa palavra e a nossa ação sejam orientados para a regra divina daqueles nomes que descrevem a Cristo, de modo a nada pensarmos, nada dizermos e nada fazermos que se afaste do seu alto significado.

            Então, o que terá de fazer aquele que se tornou digno do grande nome de Cristo, a não ser examinar diligentemente os próprios pensamentos, palavras e ações, julgando se cada um deles tende para Cristo ou se lhe são estranhos? De muitas maneiras operamos este magnífico discernimento. Tudo quanto fazemos, pensamos ou falamos com alguma perturbação, de nenhum modo está de acordo com Cristo, mas traz a marca e a figura do inimigo, que mistura a lama das perturbações à pérola da alma para deformar e apagar o esplendor da joia preciosa.

            O que, porém, está livre e puro de toda afeição desordenada, relaciona-se como Autor e Príncipe da tranquilidade, o Cristo. Quem dele bebe, como de fonte pura e não poluída, as suas ideias e os seus sentimentos, revelará em si a semelhança com o princípio e a origem, tal como a água na própria fonte é igual à que corre no límpido regato e à que brilha na jarra.

            De fato, é uma só e mesma a pureza de Cristo e a que se encontra em nossos espíritos. Mas a pureza de Cristo brota da fonte, enquanto que a nossa dela flui e chega até nós, trazendo consigo a beleza dos pensamentos para a vida. Portanto, a coerência do homem interior e do exterior aparece harmoniosa, quando os pensamentos que provêm de Cristo guiam e movem a modéstia e a honestidade de nossa vida.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Alter Christus!

Do Tratado sobre a verdadeira imagem do cristão, de 
São Gregório de Nissa, bispo

(PG46,254-255)
(Séc.IV)

O cristão, outro Cristo

Paulo sabe quem é Cristo, mais acuradamente do que todos. Com efeito, por suas
atitudes mostrou como deve ser quem recebe o nome do Senhor, porque o imitou tão
exatamente que revelou em si mesmo o próprio Senhor. Por tal imitação cheia de amor,
transferiu seu espírito para o Exemplo, de modo que não mais parecia ser Paulo e sim
Cristo, como ele mesmo bem o diz, reconhecendo a graça em si: Quereis uma prova
daquele que em mim fala, o Cristo. E mais: Vivo eu, já não eu, mas é Cristo quem vive
em mim.

Manifestou então para nós que força possui este nome de Cristo, ao dizer que Cristo é a
Virtude de Deus, a Sabedoria de Deus e deu-lhe os nomes de Paz, Luz inacessível onde
Deus habita, Expiação, Redenção, máximo Sacerdote e Páscoa, Propiciação pelas
almas, Esplendor da glória e Figura de sua substância, Criador dos séculos, Alimento e
Bebida espirituais, Pedra e Água, Fundamento da fé e Pedra angular, Imagem do Deus
invisível, grande Deus, Cabeça do Corpo da Igreja, Primogênito da nova criação,
Primícias dos que adormeceram, Primogênito entre os mortos, Primogênito entre muitos
irmãos, Mediador entre Deus e os homens, Filho unigênito coroado de glória e de honra,
Senhor da glória, Princípio das coisas e Rei da justiça, e ainda de Rei da paz, Rei de
tudo, Possuidor do domínio sobre o reino que não tem limites.

Com esses e outros nomes do mesmo gênero designou o Cristo, nomes tão numerosos
que não se pode contá-los com facilidade. Se forem combinadas e enfeixadas as
significações de cada um, eles nos mostrarão o admirável valor e majestade deste nome,
Cristo, que é impossível de traduzir-se por palavras, mas pode ser demonstrado, na
medida em que conseguimos entendê-lo com nosso espírito.

Por ter a bondade de nosso Senhor nos concedido o primeiro, o maior e o mais divino
de todos os nomes, o nome de Cristo, nós somos chamados “cristãos”. É necessário,
então, que se vejam expressos em nós todos os outros nomes que explicam o nome do
Senhor, para não sermos falsamente ditos “cristãos”; mas o testemunhemos com nossa
vida.

sábado, 24 de junho de 2017

Ministério instituídos do Acólito e do Leitor!



                                             ACÓLITO E LEITOR



98. O acólito é instituído para o serviço do altar e para ajudar o sacerdote e o diácono. Compete-lhe, como função principal, preparar o altar e os vasos sagrados e, se for necessário, distribuir aos fiéis a Eucaristia, de que é ministro extraordinário [84].
No ministério do altar, o acólito tem funções próprias (cf. nn. 187-193), que ele mesmo deve exercer.

99. O leitor é instituído para fazer as leituras da Sagrada Escritura, com exceção do Evangelho. Pode também propor as intenções da oração universal e ainda, na falta de salmista, recitar o salmo entre as leituras.
Na celebração eucarística o leitor tem uma função que lhe é própria (cf. nn. 194-198) e que ele deve exercer por si mesmo, ainda que estejam presentes ministros ordenados.

As outras funções

100. Na falta de acólito instituído, podem ser destinados para o serviço do altar e para ajudar o sacerdote e o diácono ministros leigos que levam a cruz, os círios, o turíbulo, o pão, o vinho e a água; também podem ser designados ministros leigos para distribuir a sagrada Comunhão como ministros extraordinários[85].

101. Na falta de leitor instituído, podem ser designados outros leigos para proclamar as leituras da sagrada Escritura, desde que sejam realmente aptos para o desempenho desta função e se tenham cuidadosamente preparado, de tal modo que, pela escuta das leituras divinas, os fiéis desenvolvam no seu coração um afeto vivo e suave pela sagrada Escritura[86].





102. Compete ao salmista proferir o salmo ou o cântico bíblico que vem entre as leituras. Para desempenhar bem a sua função, é necessário que o salmista seja competente na arte de salmodiar e dotado de pronúncia correta e dicção perfeita.

103. Entre os fiéis exerce um próprio ofício litúrgico a sachola cantorum ou grupo coral, a quem compete executar devidamente, segundo os diversos gêneros de cânticos, as partes musicais que lhe estão reservadas e animar a participação ativa dos fiéis no canto[87]. O que se diz da sachola cantorum aplica-se também, nas devidas proporções, aos restantes músicos e de modo particular ao organista.

104. É conveniente que haja um cantor ou mestre de coro encarregado de dirigir e sustentar o canto do povo. Na falta da sachola, compete-lhe dirigir os diversos cânticos, fazendo o povo participar na parte que lhe corresponde[88].

105. Também exercem uma função litúrgica:
a) O sacristão, que prepara com diligência os livros litúrgicos, os paramentos e tudo o que é preciso para a celebração da Missa.

b) O comentador, incumbido de fazer aos fiéis, se for oportuno, breves explicações e admonições, a fim de os introduzir na celebração e os dispor a compreendê-la melhor. As admonições do comentador devem ser cuidadosamente preparadas e muito sóbrias. No desempenho da sua função, o comentador deve colocar-se em lugar adequado, à frente dos fiéis, mas não no ambão.
c) Os encarregados de fazer na igreja a recolha das ofertas.
d) Aqueles que, em certas regiões, são encarregados de receber os fiéis à porta da igreja, de os conduzir aos seus lugares e de ordenar as suas procissões.

106. É conveniente, pelo menos nas igrejas catedrais e nas de maior importância, que haja um ministro competente ou mestre de cerimônias, responsável pelo bom ordenamento das ações sagradas, ao qual pertence velar para que as mesmas sejam executadas pelos ministros sagrados e fiéis leigos com dignidade, ordem e piedade.

107. As funções litúrgicas, que não são próprias do sacerdote ou do diácono, e das quais se tratou acima (nn. 100-106), também podem ser confiadas a leigos idôneos, escolhidos pelo pároco ou reitor da igreja, mediante uma bênção litúrgica ou por nomeação temporária. Quanto à função de servir o sacerdote ao altar, observem-se as determinações dadas pelo Bispo para a sua diocese.

IGMR. Instrução Geral do Missal Romano

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Dies Domini!

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Dia do Senhor

Na aurora, neste mesmo dia, os primeiros cristãos apressavam-se para adentrarem na *domus ecclesia e participarem daquele que era o acontecimento central de suas vidas, especialmente no final de semana. O significado deste dia vai além de um simples acontecimento social, na verdade o entendimento era um acontecimento de salvação; salvação de estar futuramente com aquele que era o centro de todo o culto cristão dos primeiros séculos, o verdadeiro *Kírios.

Desta forma o dia do Senhor ou melhor o Domingo, passou a ser na memória dos cristãos a rememoração viva de toda a vida de cristo, especialmente da sua ressurreição; o sentido de sacrificio na celebração eucarística é posterior com mais intensidade no Concílio de Trento; assim a celebração era festiva e amistosa levando a comunidade a entender que sem a vivência deste dia era impossível continuar como cristão.

Hoje a coisa mudou, a indiferença religiosa ou a falta de sentido da religião na vida de muitos "católicos" na verdade que se dizem católicos. O Domingo passou de dia de preceito para um dia de folga onde o interesse maior não é a vida celebrativa mas o lazer parta muitos. A religião está em segundo plano, isso gera uma inversão de valores levando a pessoa a ser insensível a tudo que diz respeito a religião. Por outro lado existem aqueles que fazem da religião uma busca fácil de conseguir favores ou se dar bem na vida; aí estão as seitas eletrônicas prometendo bem-estar em troca de dinheiro, prometendo milagres em troca de bens materiais; fazendo de Deus uma marionete ou um vassalo obediente incapaz de dizer não aos seus patrões pastores fajutos; confira este vídeo na internet.

É notório que o homem não vive sem espiritualidade, de alguma forma ele se apega aos seus falsos deuses como garantia de sua existência. Nós cristãos não precisamos reinventar essa espiritualidade pois já a temos; falta talvez vivê-la com com mais intensidade, especialmente resgatando o dies domini, isto é, o dia do Senhor.

Domus ecclesia: Casa da comunidade
* Kírios: (Senhor) Título atribuido ao Imperador; os cristãos atribuíram este título  a Cristo.